domingo, 6 de junho de 2010

GILBERTO GIL E SUA FESTA CHEIA DE FÉ.


Entre todos os monstros sagrados da composição brasileira do século XX, Gilberto Gil sempre foi o que mais tocou minha alma, por tudo que sempre representou para nossa cultura e pela forma carinhosa e paternal com que sempre se referiu a tudo e todos no cenário cultural brasileiro. Homem brilhante de inteligência única sempre conseguiu fazer musica dançante sem se afastar das raízes de um pais múltiplo culturalmente como é o nosso grande Brasil.

Pois é este Gilberto Gil que passou anos a frente do Ministério da Cultura em Brasília, chega as vésperas das Festas Juninas com um CD estupendo, só comparável a grandiosa obra de Luiz Gonzaga que se dedicou as canções para este período festivo do ano. Gilberto Gil lançou no inicio de junho de 2010 o CD “Fé na Festa” onde apresenta ao grande publico brasileiro 13 canções, na sua maioria, compostas por ele e parceiros diversos que são direcionadas para o universo das festas juninas que cada vez mais se espalham pelo interior do Brasil.

A sonoridade do CD é absolutamente contagiante e a maioria das letras são fáceis de gravar e agradavelmente decoráveis, trata-se de uma festança completa, como a muito não se via na MPB. Encontramos parcerias de Gilberto Gil com Vanessa da Mata em “Lá vem ela” que diz assim “...

Quando ela aponta na ponta da esquina / fico cor de Deus, a cor sem cor / Nessas horas todos coram e a menina / nessas horas ela é de maior ...” Estão lá parcerias com Nando Cordel em “São João Carioca” que é impossível ouvir sem se sacolejar, e uma perola do cancioneiro de Luiz Gonzaga feita em parceria com Zé Dantas intitulada: “Dança da Moda”.

É claro que o rei o baião não poderia faltar neste que é de longe o melhor trabalho de Gilberto Gil nos últimos anos. Todas as outras canções são da safra de inéditas de Gilberto Gil, e faz nos agradecer por sermos brasileiros, por termos Festas Juninas e por estarmos vivendo na mesma época em que Gilberto Gil vive.

Paulo Gonçalo dos Santos
Historiador / Pesquisador de MPB
paulogoncalo@uol.com.br

Andre L. M. Menezes
Revisão Afetiva

NOEL ROSA AOS PÉS DE MARTINHO DA VILA.



No centenário de nascimento do maior compositor carioca, Noel Rosa, eis que o Poeta da Vila faz a maior e mais bela homenagem que poderia ser feita: um CD de qualidade inigualável, e como anuncia a gravadora que viabiliza este trabalho de Martinho da Vila, o CD já nasce clássico.

Obviamente as composições de Noel Rosa falam por si só, e são universalmente conhecidas. Sua rápida história de vida também já havia sido cantada em verso e prosa e aqui mesmo já escrevi sobre um filme que foi feito recentemente sobre sua vida e que merece estar em todos os lugares onde a memória nacional é preservada.

Mas tinha que vir mesmo de Vila Isabel o mais belo registro contemporâneo feito sobre a obra de Noel. O Poeta da Vila, Martinho, esmerou-se e cercou-se de cuidados tanto gráficos quanto de produção para a gravação do CD intitulado: “Poeta da Cidade – Martinho Canta Noel” editado pela Gravadora Biscoito Fino.

Martinho cerca-se de vozes femininas, o que nos remete ao período de vida de Noel que vivia cercado de mulheres e de cantoras antológicas como Aracy de Almeida, pois bem! Em duas faixas Martinho da Vila divide os vocais com sua filha “Martinália”, que mais parece uma evocação de uma despudorada Aracy de Almeida do século XXI.

E ainda ouvimos as doces vozes de, Ana Costa, Aline Calixto esta mineira que vem dominando o cenário carioca com suas interpretações soberbas do cancioneiro de nosso Brasil, e ainda temos Analimar, Maira e Patricia Hora filha do grande arranjador e gaitista Rildo Hora. Enfim, o presente mesmo quem recebe são os fãs de Noel Rosa e contemporâneos de Martinho da Vila, na verdade hoje, Martinho do Brasil.

Paulo Gonçalo dos Santos
Historiador / Pesquisador de MPB
paulogoncalo@uol.com.br

Andre L. M. Menezes
Revisão Afetiva


JUNTOS, IVAN LINS, GILSON PERANZETTA E VITOR MARTINS.



*Item de Colecionador*

O ano: 1984; a gravadora: Philips e o compositor e interprete Ivan Lins, comemorando a parceria com Gilson Peranzetta e Vitor Martins, produz um LP que se tornou antológico através do passar dos anos.

Não só por juntar grandes nomes da M.P.B. como: Beth Carvalho, Djavan, Elba Ramalho, Elis Regina (homenagem póstuma), Erasmo Carlos, George Benson, MPB-4, Nana Caymmi, Patti Austin, Paulinho da Viola, Simone, Tim Maria e Verônica Sabino.

A capa do LP (duplo) trazia a reprodução de uma adega onde cada litro de vinho ganhava o nome de um dos convidados compondo assim um belo cenário que remete a apurada qualidade das composições de Ivan Lins que ganharam com facilidade o mundo inteiro.

Algumas interpretações tornam-se curiosas como é o caso de Elba Ramalho que canta com competência “Novo Tempo” hino do período bravo da ditadura militar.

O disco rendeu um especial para Rede Globo de televisão com belos momentos, entre eles o da cantora Simone e Ivan Lins juntos pelas ruas da maravilhosa cidade de Parati cantando a canção: “Bandeira do Divino”.

É de fato um disco que não pode faltar de maneira nenhuma nas estantes de todos os apreciadores da boa música.

Paulo Gonçalo dos Santos
Historiador / Pesquisador de MPB
paulogoncalo@uol.com.br

Andre L. M. Menezes
Revisão Afetiva


segunda-feira, 17 de maio de 2010

O CANTO DE SANNY ALVES DEIXA OS CORAÇÕES EM FESTA.



Quando os ouvintes de um amante da música brasileira ouvem as primeiras emissões de uma voz que não conhece, logo ele se pões em posição de atenção total, com a audição do Cd da cantora Sanny Alves, o primeiro lançado no Brasil, foi o coração que se pois não em atenção total mas em Festa.

A audição do Cd desta cantora que já foi ouvida e vista ao lado de ninguém menos que Nei Lopes e que já tem até um cd lançado no Japão (ai que vontade de ouvir...!!!!) é filha do grande contrabaixista Luis Alves - um bamba no oficio de músico que tocou ao lado de muitos nomes iluminados da MPB.

Mas iluminado mesmo deve sentir-se Luis Alves por ter nos presenteado com esta bela cantora/atriz que vem traçando um caminho que certamente a levará ao esplendor da constelação de estrelas onde brilham eternas: Clara Nunes, Elis Regina, Alcione, Beth Carvalho, Nora Ney, Linda Batista, e tantas outras.

Dona de voz firme e forte, mas com a leveza que a permite cantar um dos clássicos do cancioneiro brasileiro, “Modinha de Gabriela” (até então obra que parecia imortalizada na voz de Gal Costa) sem deixar nada a dever a grande diva baiana e imprimindo uma versão que merece ser ouvida com muita atenção.

Algo é definitivo: é impossível ouvir Sanny Alves apenas como ouvinte da boa música brasileira, é necessário ouvi-la com o coração feliz, pois ao interpretar “Samba e Amor” de Chico Buarque mastigando os versos que diz: “... eu faço samba e amor a noite inteira / não tenho a quem prestar satisfação ...”

É impossivel ter o coração triste. Em algumas interpretações deste belissimo CD é possivel encontrar proximidade entre o canto de Sanny e o canto de Leny Andrade, daí sim é que o coração dispara de alegria e bate no compasso da certeza de estar diante do nascimento de um das mais belas estrelas da Música Popular Brasileira.

Paulo Gonçalo dos Santos
Historiador / Pesquisador de MPB
paulogoncalo@uol.com.br

Andre L. M. Menezes
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A CORAGEM DE JOÃO PINHEIRO E O SEU CANTO EM HOMENAGEM A SADE.



Certamente o excelente cantor João Pinheiro deve ser fã incondicional da cantora Sade, a ponto de lhe render belíssima homenagem em seu CD de 2007 intitulado “João Pinheiro – Canta Sade”, que desde que chegou às minhas mãos não para de tocar aqui em casa.

Lançado sobre o apadrinhamento da cantora Beth Carvalho e da poetiza Elisa Lucinda seu primeiro Cd “Brasilidad” chegou ao cenário musical brasileiro incensado pela competência vocal e pelo histórico de respeito que o cantor já havia somado em sua trajetória musical.

João Pinheiro é talvez o cantor de maior coragem no cenário de hoje em dia, pois para poder chegar a este cd “... Canta Sade” certamente deve ter percorrido um caminho cheio de obstáculos e ao ouvi-lo fica claro que é fruto de alguém que sabe o que quer.

Esta bela voz do cantor João Pinheiro abrasileira a obra de Sade, e é delicioso ouvir os instrumentos e a percussão, tão brasileiros, a emoldurar os versos da cantora que nos anos 80 chegou a ser promessa de Pop Star, tendo com o passar dos tempos tornado-se figura emblemática no cenário da canção mundial.

O resgate primoroso que João Pinheiro faz da obra de Sade merece lugar entre as coleções de CDs, sobretudo das coleções de quem aprecia a belas vozes. Raro encontrar na ala masculina da música popular brasileira alguém com tamanho carisma vocal.

João Pinheiro tem sem duvida o mais belo canto, e não demorará em que o mundo se curve a esta voz tão brasileira.

Paulo Gonçalo dos Santos
Historiador / Pesquisador de MPB
paulogoncalo@uol.com.br

Andre L. M. Menezes
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DE BACH A JOBIM O TRIO TERNURA É DO BRASIL.



Eva, Mariza e Regina: eis os nomes destas “meninas” que hoje vivem na França com suas famílias, mas que na década de 60 / 70 fizeram enorme sucesso neste nosso país que quase nunca mantém na memória o que realmente é bom e eterno.

Minha memória afetiva musical lembra tão bem da meiga Evinha cantando “Cantiga Para Luciana” que eu vi na casa de uma tia que naquela época era a única da família a ter uma televisão, tudo que víamos era em preto e branco, mas a voz de Evinha trazia tantas cores para mim que eu, criança, adorava aquela voz, e achava Evinha muito parecida com minha irmã que na época deveria ter uns 5 ou 6 anos.

Evinha é a Eva do Trio Ternura, grupo de irmãs que junto a ala masculina da família fizeram enorme sucesso no cenário musical do Brasil, não só com cantores em trios, mas também na década de 80 como produtores de grandes discos principalmente para a gravadora EMI.

Mas o Trio formado no Brasil apaixonou-se pela França e para lá mudaram, casaram-se, tiveram filhos e de vez em quando presenteiam o mundo e o Brasil com perolas como este CD, que até este momento (maio de 2010) ainda não havia sido lançado por aqui.

Desde a belíssima concepção gráfica da capa, até a seleção perfeita do repertório é impossível não sentir-se comovido com cada uma das interpretações quase à capela e na maioria das vezes acompanhada por arranjos que valorizam perfeitamente a harmonia das três vozes que com o passar do tempo só tem feito ficar ainda mais harmoniosas.

Estão no repertório - que até agora só os franceses tem a sorte de ver e ouvir - “Desafinado”, “Samba do Avião”, “Romaria”, “Upa Neguinho” e a que talvez tenha a interpretação mais comovente “Joana Francesa” de Chico Buarque, e ainda tem interpretações de canções dos Beatles, mas sobre estas deixarei que a curiosidade os façam correr atrás desta perola lançada na França.

Ainda bem que a França sabe que Eva, Mariza e Regina são brasileiras, e que o Trio Ternura nasceu aqui e mora no coração de ouvintes que, como eu, ama a musicalidade de nossa nação.

Paulo Gonçalo dos Santos
Historiador / Pesquisador de MPB
paulogoncalo@uol.com.br

Andre L. M. Menezes
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domingo, 2 de maio de 2010

A MARAVILHOSA NEGRITUDE DE ZEZÉ MOTTA.



* Item de Colecionador*

Há exatos 31 anos o acervo musical brasileiro recebia um LP de presente da gravadora Warner. Tratava-se de um trabalho produzido pelo grande João de Aquino e a cantora era ninguém menos que a estrela do cinema e TV Zezé Motta e este trabalho chamou-se simplesmente “Negritude”.

A abertura do disco traz o imortal Manacéa em voz e cavaquinho numa composição sua chamada “Manhã Brasileira” e Zezé faz um belo dueto com o compositor mostrando ao ouvinte quais as maravilhas iria encontrar pela frente.

A segunda canção também de ilustre compositor é “Atividade” de Padeirinho que diz assim: “... malandro prá ser malandro / tem que ter capacidade / se tiver mulher bonita / tem que andar na atividade ..”. Já mostrando mais uma gíria carioca que haveria de tomar conta do vocabulário de todo nosso imenso Brasil.

A próxima é a canção de John Neschiling e Geraldo Carneiro chamada “Ai de Mim” um chorinho rasgado que numa interpretação para lá de sensual de Zezé Motta ganha um swing todo especial e torna praticamente impossível se ouvir a canção sem sacudir o corpo.

Temos a seguir uma canção da melhor safra de Moraes Moreira que inicia a re-ligação dos laços da musica brasileira com a música feita no continente africano, a canção que Zezé interpreta soberanamente, chama-se “Pensamento Ioruba” e toda a negritude vocal da cantora é percebida nesta interpretação marcante.

O poeta maior da Mangueira, Cartola, esta presente no disco através de uma de suas obras primas a canção: “Autonomia”: “...É impossível nesta primavera, eu sei / Impossível, pois longe estarei / Mas pensando em nosso amor, amor sincero / Ai! se eu tivesse autonomia / Se eu pudesse gritaria / Não vou, não quero ...”

Uma canção surpreendente das raríssimas composições feitas pela cantora Maria Bethânia, em Parceria com Rosinha de Valença, estão presente neste trabalho requintado de uma das Divas de nossa canção, intitulada “Caca Caiana” que diz assim: “... meu rumo foi traçado / na palma de uma palmeira / ai, ai, ai, ai / na beira do Paraíba / do sul do sul / brinquei nos canaviais ...”

O disco trás ainda composições de Tunai e Sergio Natureza intitulado: “Trovoada”, marcando a solidificação do nome destes compositores no universo da musica popular do Brasil.

Mas definitivamente a canção: “Senhora Liberdade” de Wilson Moreira e Nei Lopes ganhou interpretação definitiva na voz de Zezé Motta e registrada neste disco, certamente os amantes da boa musica lembra-se de Zezé Motta imediatamente quando ouvem os primeiros acordes desta que podemos considerar um dos clássicos da composição mpbistica, e, como a “Negritude” de Zezé Motta, exala liberdade torna-se impossível terminar esses escritos sem cantarolar “... Abre as asas sobre mim / Oh senhora liberdade / Eu fui condenado / Sem merecimento / Por um sentimento / Por Uma paixão / Violenta emoção / Pois amar foi meu delito / Mas foi um sonho tão bonito ..”.

Paulo Gonçalo dos Santos
Historiador / Pesquisador de MPB
paulogoncalo@uol.com.br

Andre L. M. Menezes
Revisão Afetiva