quinta-feira, 9 de junho de 2011

O LEÃOZINHO CAÊ REJUVENESCE SUA OBRA AO LADO DE GADÚ.


















Pois é... Caetano Veloso conseguiu encontrar uma maneira de rejuvenescer suas canções de maneira a entrar e grudar nos ouvidos de uma meninada que vem conhecendo a MPB através de algumas novas DIVAS que surgem, cada qual com suas caras e bocas, e ele escolheu a mais recente diva criada no universo midiático.

A escolha de Maria Gadú, uma menina-menino que chega para ocupar e preencher algumas lacunas deixadas com o desaparecimento de Cássia Eller e o resfriamento de Ana Carolina e Maria Rita, coloca-se entre a exuberância de Vanessa da Matta e o exagero de Ivete Sangalo.

O CD-DVD “Multishow ao vivo – Caetano e Maria Gadú” lançado em maio de 2011 pela gravadora Universal e parceria com a GLOBOSAT rejuvenesce clássicos do repertorio de Caetano Veloso que são insuperáveis e inquestionáveis, e enquanto Caetano valida a carreira de Maria Gadú, esta com seu brilho adolescente torna sua musica ainda mais interessante.

O ultimo trabalho de parceria de Caetano Veloso foi um opaco trabalho lançado em DVD-CD com Roberto Carlos homenageando o Maestro Tom Jobim, quase que engessado ao lado da figura “azul clara” de Roberto Carlos toda a grandiosidade de Caetano Veloso ficou presa num cenário tomado pelo jeito Roberto Carlos de ser.

Já ao lado de Maria Gadú, num cenário genial, simples e significativo, Caetano Veloso deita e rola, seja nos vocais, seja nos números solos, ou na voz da jovem cantora que foi escolhida para dividir o palco com ele, e a escolha do repertorio foi simplesmente genial.

Estão presentes no repertorio as canções: ‘Sampa’, ‘Odara’, ‘Alegria, Alegria’, ‘Milagres do Povo’, ‘Vaca Profana’, ‘Raptme Camaleoa’, enfim, aquelas canções que marcaram gerações de brasileiros, e que com este registro certamente continuará a marcar algumas novas gerações. Salve o mestre Caetano que no palco cantando sua obra é inigualável, afinal quem é ateu e viu milagres como eu... Sabe quem tem que chamar de REI.

Paulo Gonçalo dos Santos
Pesquisador de MPB

É COM ESSE QUE VOU – O SAMBA DO CARNAVAL DE RUA E DE SALÃO.














A gravadora Biscoito Fino acaba de lançar em DVD e CD o espetáculo teatral escrito por Rosa Maria de Araujo e Sergio Cabral que esteve em cartaz por muito tempo com grande sucesso sempre atraindo os interessados pela história de nossa música popular.

O espetáculo traça um painel sócio histórico cultura através dos sambas que marcaram época e retrataram de maneira própria e perfeita períodos de nossa história, através de composições que traziam para a música fatos corriqueiros da cidade que por muito tempo foi capital do Brasil: a eternamente maravilhosa Cidade do Rio de Janeiro.

As composições que o espetáculo “É Com Esse que Eu Vou” (2011) nos traz são verdadeiras crônicas do cotidiano carioca dos anos 20, 30, 40, e 50 traduzindo com leveza através de um belo cenário e de vozes maravilhosas a grandiosidade de nossa música popular.

O espetáculo musical é dividido em algumas temáticas que reforçam a idéia de que os sambas são verdadeiras crônicas do cotidiano de um povo que vivia penosamente, mas nunca perdia a alegria de estar num dos cenários naturais mais belos de nosso planeta.

A saber, são estes os temas que encontramos ao assistir deleitados a este espetáculo: Rico X Pobre, Orgia X Trabalho, Cidade X Morro, Tristeza X Alegria, Solteiro X Casado, Feminismo X Machismo, Briga X Paz, Apologia do Samba.

A escolha dos cantores-atores foi perfeita, e estão presentes neste grandioso espetáculo musical: Soraya Ravenle, Alfredo Del Penho, Beatriz Faria, Lilian Valeska, Makley Matos, Marcos Sacramento e Pedro Paulo Malta, sendo a produção da dupla especialista em musicais : Charles Moeller e Claudi Botelho.

Não tive a oportunidade de assistir ao espetáculo no palco, mas ao vê-lo em casa foi impossível não cantar junto o tempo todo. Eis um material necessário para a preservação da cultura nacional.

Paulo Gonçalo dos Santos
Pesquisador de MPB
paulogoncalo@uol.com.br

sexta-feira, 3 de junho de 2011

OUVIR FÁBIO JORGE NO CD CHANSON FRANÇAISE 2 FAZ BEM A ALMA

















O cantor Fábio Jorge verteu para a língua francesa uma das mais belas canções composta por Gonzaguinha intitulada “Grito de Alerta”, e ao ouvir a canção na voz vigorosa e apaixonada de Fábio Jorge, um sopro de felicidade invade todo nosso ser. Só por esta canção o CD: “Chanson Française 2”, lançado pela Lua Musica e produzido por Thiago Marques Luis, já é obrigatório aos amantes da boa música.

Mas temos ainda a versão de’ Ternura Antiga’ feita também por Fábio que ao cantá-la neste trabalho divide os vocais com Cida Moreira, transformando-se num dueto mágico e emblemático que une vozes tão belas a esta bela canção que já teve inúmeras gravações desde que Dolores Duran e José Ribamar a apresentaram ao mundo.

Como bem diz o DJ Zé Pedro na apresentação deste trabalho, a musica francesa, de tempos em tempos, invade o Brasil e é quase impossível existir alguém que não tenha em sua memória afetiva musical alguma canção nesta bela língua que a pronunciá-la já sai melódica. Zé Pedro esqueceu de lembrar que até meados dos anos 70 o francês era matéria obrigatória no ensino fundamental de todo o Brasil.

O CD trás ainda a participação luxuosa do maior cantor brasileiro vivo: Cauby Peixoto, que interpreta ao lado de Fábio Jorge uma versão feita por ele mesmo de “Pra não Dizer Adeus”, de Edu Lobo e Torquato Neto, o que deixa este trabalho ainda mais encantador. Ainda podemos ouvir a cantora Silvia Maria num duo bonito com Fábio na bela canção de Charles Aznavour chamada “Je n’allendais que Loi” e a especialíssima participação de João Carlos Assis Brasil a encerrar o Cd com a canção “L’été 42” de Michel Legrand.

Chanson Française 2 o CD de Fábio Jorge merece ser transformado num belíssimo show e depois chegar até nossas casas no formato DVD, pois trata-se de um trabalho que toca as almas apaixonadas de maneira sublime! Salve Fábio Jorge.


Paulo Gonçalo dos Santos
Pesquisador de MPB
paulogoncalo@uol.com.br

O LADO B DE DOMINGUINHOS E YAMANDU
















Eis um CD de beleza incontestável! Lançado pela gravadora Biscoito Fino, reúne dois dos maiores músicos brasileiros: um lá do nordeste e outro lá do sul, Yamandu Costa e Dominguinhos. O efeito sonoro deste duo instrumental é arrebatador e faz com a gente mergulhe no universo interiorano de nosso Brasil.

O CD que ganhou no nome de “LADO B’ é de fato o melhor lado destes músicos brasileiros de raro talento, e a distancia que separa cronologicamente Dominguinhos de Yamandu é enorme, assim como a distancia física de suas terras natal, mas a distancia fica só ai, pois quando se trata de música é difícil conseguir definir o quão eles são próximos e tocam na mesma sintonia.

O repertorio é de tocar o coração com sutileza. Llembra muito o mergulho no interior do Brasil que a cantora Maria Bethânia fez em seu inesquecível CD-DVD “Brasileirinho” quando era quase possível tocar os céus repletos de estrelas de cada canto do interior do Brasil quando assistíamos ou ouvíamos o espetáculo da cantora.

Pois é assim que me sinto ao ouvir o CD de Dominguinhos e Yamandu: quase tocando os céus deste nosso país, tão imenso e repleto de diversidade cultural e tão harmoniosamente uno quando se trata da paixão pela boa musica produzida em todos os cantos de nossa terra.

Estão presentes canções que certamente fazem parte do repertorio de vida de cada um dos artistas e é ai que o CD torna-se único, pois quando cada um coloca na canção escolhida a verdade e a história que está atrás para si, transforma em obra prima canções que andavam até mesmo esquecidas num cantinho qualquer de nosso imaginário afetivo musical.

Portanto, é necessário reservar um tempo da vida tão corrida que levamos para apreciar este CD que nasceu clássico e assim deve permanecer em nossas casas e em nossas vidas.


Paulo Gonçalo dos Santos
Pesquisador de MPB
paulogoncalo@uol.com.br

domingo, 29 de maio de 2011

FADOS – O FILME



São Paulo, Brasil... Final do mês de maio 2011, outono frio e úmido com a temperatura por volta dos 15 graus... São quase 6 horas da tarde de sábado, encolhido na sala de casa coloco no aparelho de blu-ray o filme de Carlos Saura – Fados e delicio-me com as imagens e os sons que enchem minha casa de luminosidade.
Alguns brasileiros foram convocados pelo diretor para criar uma verdadeira viagem pela história da música portuguesa descrita através do que consideramos ser a música português: o Fado.

Estão lá quase todos os países que falam português como se fizessem uma ode ao pais que um dia nos colonizou. O inicio do filme nos traz uma manifestação cultural de Cabo Verve e assim vai trazendo outras nações como Moçambique, Brasil e outros tantos artistas que soltam suas vozes num cancioneiro que atravessou séculos.

É possível ouvir Lundus, que remontam ao período colonial aqui no Brasil, cantado numa atmosfera que enchem os olhos, já que o cineasta é muito habilidoso com a câmera forjando cenas que algumas vezes se soltam das canções e ganham vida própria.
O numero musical da cantora Mariza - uma moçambicana que canta o Fado com toda delicadeza e que sou apaixonado há muitos anos - é recheado de sensualidade marcadas pelos passos de uma dança que a cantora divide com um bailarino perfeito, e a cena é de um bom gosto incrível.

Temos representantes brasileiros no filme e eles não são poucos e muito menos insignificantes, a saber, estão no filme: Caetano Veloso, Chico Buarque e Toni Garrido, e eles mostram o quanto nossas veias tupiniquins estão impregnadas da musica que chegou de além mar.

A fotografia do filme é belíssima, a música maravilhosa e o frio que tomou São Paulo ajuda a criar um dos mais belos finais de tarde que já vivi aqui em minha casa, onde acompanhado apenas da música e das imagens de todos os antepassados que deram origem a nação que hoje chamamos Brasil pulsam vigorosamente no peito. Viva o FADO.

Paulo Gonçalo dos Santos
Pesquisador de MPB
paulogoncalo@uol.com.br

MAÍRA FREITAS – Vem Chegando...















A gravadora Biscoito Fino lançou neste inicio pós-carnaval do ano de 2011 o primeiro CD de Maíra Freitas. Trata-se de uma das “crias” do cantor e compositor Martinho da Vila, irmã de Martinalia, portanto é certo que tal lançamento criaria certo frisson entre os amantes da boa música brasileira.

Maíra Freitas tem formação musical erudita e é uma pianista de mão cheia e ao longo dos últimos anos têm participado de festivais pelo mundo afora e conquistado alguns prêmios devido a seu desempenho frente do piano. Sem duvida, fato importante e motivo de orgulho para todos nós.

O Brasil não tem tradição na música erudita, e poucos são nossos passos nesta seara e saber do trabalho de Maíra Freitas é de fato muito salutar. Ocorre que no CD que leva seu nome, Maíra se aventura a cantar e compor além de exercer o oficio de eximia instrumentista.

Para mim os melhores momentos do CD são aqueles em que o talento de Maíra Freitas frente ao piano chega até nossos ouvidos de maneira pura e cristalina. De fato, trata-se de uma grande instrumentista, e quero acreditar que se Maíra Freitas se propor a unir erudito e popular em seus trabalhos futuros terá certamente um futuro lindo no cenário musical nacional.

Torço de coração para que ela não deseje tornar-se um arremedo de cantora pop tipo as ‘Byoncés’ que existem mudo afora, porque se isso acontecer, o piano vai sofrer uma de suas maiores perdas, e isso não é legal.

A capa do CD bem cuidado de Maíra Freitas traz um foto dela segurando algumas teclas de um piano. Espero que no próximo CD, o teclado todo esteja completo, perfeito e afinado para que as mãos mágicas de Maíra possam fazer chegar a todos os cantos os mais belos sons que jamais ouvimos.

Paulo Gonçalo dos Santos
Pesquisador de MPB
paulogoncalo@uol.com.br

SALVE A FAMÍLIA DE MARTINHO DA VILA



Há pouco tempo chegou aqui em casa o CD “Lambendo a Cria” de Martinho da Vila e já chegou incensado com o Prêmio da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA), ou seja, avalizado por quem de fato entende do que é bom e do que contribui para o enriquecimento cultural de nosso Brasil.

Lambendo a Cria, titulo certeiro deste trabalho de Martinho da Vila que reúne toda sua família (filhos) que trabalham também com música, é um disco pra cima, cheio de alegria e, sobretudo, de bom gosto musical, afinal, filhotes de Martinho tinham mesmo que ser músicos, pois nenhum compositor brasileiro tem o swing e a complexidade musical que Martinho trás em seu canto e em suas composições.

O compositor foi homenageado no final dos anos 90 com um CD tributo feito por uma das maiores cantoras vivas do Brasil; trata-se do CD “Café com Leite” de Simone que traz algumas das melhores canções compostas por Martinho da Vila e seus parceiros. Este Tributo foi considerado por Caetano Veloso à época uma das obras primas da MPB, e ele tinha razão! Ficou de fato muito bom.

Agora, o CD “Lambendo a Cria” faz um tributo familiar a Martinho da Vila, e deve ser de fato prazeroso poder dividir o oficio que escolhemos nesta vida com nossas “crias” e olhe que as crias de Martinho da Vila já cravaram seus nomes no cenário musical brasileiro, e se formos falar apenas de uma das filhas veremos o quão as crias são de fatos exuberantes. Falo da cantora Martinália, melhor cantora- compositora surgida nos últimos dez anos, sem sombra de duvidas.

Mas no CD estão presentes cinco filhos e filhas de Martinho e todos sem exceção devem mesmo ser orgulhosos deste pai que tanto tem nos deixado a vida mais gostosa com seu cantar, na verdade acredito mesmo é que todos nós brasileiros devemos ajudar a Martinho da Vila a lamber suas crias, pois elas são orgulho de toda a nossa nação.


Paulo Gonçalo dos Santos
Pesquisador de MPB
paulogoncalo@uol.com.br