sábado, 3 de abril de 2010

FAGNER 1978 LP – ‘EU CANTO’



* Item de Colecionador*

O ano era 1978 e a gravadora era a CBS - a mesma de Roberto Carlos, o titulo do LP apenas dizia “Eu Canto” e o cantor de fato vinha arrebentado tudo o que encontrava pela frente no caldeirão da música popular brasileira. Falo de Raimundo Fagner que trazia para os ouvidos brasileiros o lamento e o choro do sertão do agreste.

Fagner já era um artista respeitado e ousava experimentar em seus trabalhos fonográficos, imprimindo com uma exatidão e rispidez os valores de um povo oprimido e discriminado no sudeste e sul do pais. Seu canto rasgava as sonoridades impondo uma melodia que estava guardada nos corações de boa parte dos brasileiros que amam a música.

Ele misturava neste efervesceste caldeirão composições de: Sueli Costa, Robertinho do Recife, Zé Ramalho, Cartola, Alceu Valença entre outros, e composições de sua própria autoria, desafiando as rádios a tocarem um novo som que vinha das entranhas do Brasil.

Não por acaso a canção que abre este trabalho se chamou “Revelação” e trazia em seus versos a propositura do trabalho deste que foi um dia o mais arrojado cantautor de nossa música, composta por uma dupla até então desconhecida para o grande publico Clodê e Clésio dizia em seus versos chorados “.... Um dia vestido / De saudade viva / Faz ressuscitar / Casas mal vividas / Camas repartidas / Faz se revelar / Quando a gente tenta / De toda maneira / Dele se guardar / Sentimento ilhado / Morto, amordaçado / Volta a incomodar ...”

A interpretação de Fagner para o clássico de Cartola “As Rosas não Falam” simplesmente mostraram para o sul maravilha que a voz do sertão era capaz de fazer sacudir a terra do samba, fazendo com que ela parasse para refletir sobre as desgraças que por muito tempo fora escondida com balanços e sonoridades vinda da zona sul da ex capital do Brasil.

O LP depois reeditado com capricho em CD pelo grande pesquisador Marcelo Froes é de uma sonoridade impar, tras os sons dos Mouros que certa feita estiveram por terras nordestinas, dos espanhois e a magnetude da batida brasileira que tão bem conhecemos.

E como canta Raimundo Fagner em composição propria neste LP “... Eu não vivo guardado em segredo / Nem no medo, um receio sequer / A não ser quando a morte vier / E me pegar sorrindo querendo ficar / Eu não sei viver de outro jeito / A não ser desse jeito / Detino cigano / Comigo não dá / Pra ficar amargando / Esperando o tempo passar / Até sonhando / E sem saber onde posso chegar / E ficar ...”

“Não diga que eu fiquei sozinho, não mande alguém lhe acompanhar, repare a multidão pecisa de alguem mais alta a lhe guiar..”., este alguém já apareceu, e foi Raimundo Fagner... Ainda bem!

Paulo Gonçalo dos Santos
Historiador / Pesquisador de MPB
paulogoncalo@uol.com.br
Andre L. M. Menezes
Revisão Afetiva


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