domingo, 10 de julho de 2011

SORAYA RAVENLE E SUA BELA ARCA DO TEMPO.



...Os sonhos que eu sonhei, senhorá
Eu quero sonhar de novo
Senhora, senhorá ...

Este belo samba-de-roda inédito é a segunda faixa do primeiro CD gravado pela atriz Soraya Ravenle, e é todinho dedicado ao poeta/compositor Paulo César Pinheiro, voz apurado e gosto refinado que busca o que há de melhor a voz de Soraya ocupa todos os cantos aqui de casa quando esta a tocar “Arca do tempo” bonito titulo deste trabalho.

Paulo César Pinheiro já recebeu várias homenagens, mas este feito pela atriz de voz de ouro é de fato algo especial, a tarimba que a atriz de musicais que tem enchido nossos olhos e ouvidos com beleza escolheu certeiramente composições inéditas e antigas deste que talvez seja o maior compositor vivo e em plena produtividade da M.P.B.

Acostumamos ver Soraya Ravenle em musicais que já foram inclusive perpetuados em DVDs que certamente compõem o acervo de todos os amantes da música brasileira, portanto ao ouvir cada faixa do CD “ Arca do tempo” é impossível não imaginá-la no palco transbordando elegância, suavidade e graça ao cantar cada canção que foi escolhida a dedo por ela e por Alfredo Del-Penho um profundo conhecedor da obra de Paulo César Pinheiro.

Este trabalho merece ser transformado um espetáculo que dignifique e perpetue o tamanho do talento que existe no trabalho que Soraya Ravele desenvolve nos palcos do Brasil já há algum tempo, saber que existem vozes que nos tocam com tamanha profundidade é motivo de alegria impar.

O desejo de não parar de ouvir “Arca do tempo” é enorme, e por isso ele toca, toca e toca aqui em casa, mais uma vez a gravadora Biscoito Fino acerta em colocar a nossa disposição trabalho de tamanha qualidade e apuro. Que em breve possamos ter um belo DVD mostrando um belo show solo desta que é sem duvida uma das maiores vozes deste Brasil tão grande.



Paulo Gonçalo
Pesquisador de M.P.B.
paulogoncalo@uol.com.br

sábado, 9 de julho de 2011

MARIO ADNET EM + JOBIM JAZZ, UM PRESENTE AOS OUVIDOS.

















Ouvir ao ultimo trabalho de Mario Adnet lançado pela gravadora Biscoito Fino, o CD “+Jobim Jazz” é um verdadeiro presente aos ouvidos já cansado da mesmice que toma conta há muito tempo do cenário músical brasileiro e mundial, ainda bem que é possivel ser feliz ouvindo boa música.

A música instrumental sempre me fascinou, sorbetudo a brasileira que é tão relegada a segundo plano, apesar do Brasil ter tido o privilégio de ver nascer entre seus filhos Heitor Bvilla Lobos, os filhos deste Brasil não aprendem a ouvir música instrumental, seja a clássica ou a popular.

Um pais onde se esquece com facilidade quem tanto contribui para o enriquecimento cultural de gerações e gerações tem o pessimo habito de relegar a um segundo plano os grandes músicos que nossa terra forja apesar de todas as dificuldades e este é o caso do estupendo Mario Adnet.

Vale mesmo a pena deixar-se levar pela levesa que o som de Mário Adnet nos proporciona, através de composições do Maestro Soberano ele proporciona a nossos ouvidos um verdadeiro descanso desta poluição sonora que insistem em chamar de música, é possivel viajarmos ao interior de nossos corações ouvindo esta fusão Adnet + Jobim + Jazz, incrivel.

Acredito que este é um tipo de trabalho que deveria chegar a grande população brasileira, deveria ser entregue as escolas, deveria ser ouvido nas aulas, deveria ser comentado muito e muito. Prazer inigualavel numa tarde fria de inverno que se aquece aos som da música destes mestres nascidos neste pais chamado Brasil. Salve Mario Adnet!



Paulo Gonçalo dos Santos
Historiador / Pesquisador de MPB
paulogoncalo@uol.com.br

quarta-feira, 6 de julho de 2011

SURURU NA RODA ME CHEGA ATRAVÉS DE LINDOS AMIGOS.
















"Ganhei no último dia 30 de junho um belíssimo CD de um casal de queridos amigos, “Marisa e Eufrate” desde então ele não sai dos ouvidos é maravilhoso, resolvi não escrever sobre ele já que o grande poeta e escritor “Nei Lopes” o fez com maestria, vale a leitura, vale a compra do CD eis a música brasileira de qualidade."

Segundo o velho filólogo Silveira Bueno, o termo “sururu”, na acepção de briga, conflito, vem do fato de os sururus, caranguejos pretos dos mangues, viverem amontoados e se debaterem em constantes brigas em disputa de espaço. Mas a “roda” de que vamos tratar agora, e em que o nosso Sururu corajosa e prazerosamente se debate é, ao invés de um "mangue", aquele ambiente onde um grupo se reúne informalmente para tocar, cantar e viver o samba e, é claro, o choro. Sim, o choro, estilo que bem mais que aquela coisa eruditóide e meio devagar que alguns pretendem seja, é a face instrumental mais exposta e tradicional do samba - circunstância que, aliás, só enobrece e fortalece tanto um, o gênero, quanto outro, o estilo.

Nascido para tocar e cantar samba e choro, ou seja, a música popular brasileira na sua forma mais carioca e universal, o grupo Sururu na Roda foi criado em 2000. E surgiu a partir do talento, da inventiva e da experiência de uma musicista excepcional, Nilze Carvalho. Por volta de 1975, com apenas 6 anos de idade, Nilze, nascida Albenise de Carvalho Ricardo, era descoberta como executante de cavaquinho, no estilo choro, e logo se apresentava em programas de rádio e TV, inclusive na prestigiosa Rede Globo.

Aos 11, já como bandolinista, iniciava carreira discográfica, fazendo, três anos depois, sua primeira turnê internacional, exibindo-se em teatros na Itália, Espanha, França e Suíça. Mais tarde, apresentou-se em Los Angeles, Nova York e Las Vegas, além de cumprir temporadas no Japão, de 1991 a 1997. Nos anos seguintes tocou profissionalmente na China, Austrália e Argentina. No Brasil gravou a série Choro de Menina, em quatro volumes, e o CD Chorinhos de Ouro, Vol. 4.

Nos anos 90, Nilze resolvia transformar sua musicalidade inata, desenvolvida em casa, em algo mais sólido e formal. E, aí, no curso de licenciatura em música da UNI-RIO, que agora conclui, conheceu Camila Costa (22 anos, voz e violão) com quem, mais o irmão Silvio Carvalho (37, voz, percussão e cavaquinho) e Fabiano Salek (28, voz e percussão) formou o grupo Sururu na Roda. Nilze e Camila, como dissemos, têm formação musical acadêmica já praticamente completa. Fabiano, filho da flautista, cantora e compositora Eliane Salek e do saudoso maestro Marcos Leite, inovador do canto coral na música popular e fundador do Garganta Profunda, grupo do qual nosso jovem músico também faz parte também é formado em licenciatura em música pela UNI-RIO. E Silvio, filho de músico e acompanhante da irmã desde o início de sua carreira internacional, é igualmente músico refinado, embora sem instrução formal completa.

Com esse material esplêndido na mão, foi relativamente fácil ao produtor e arranjador Ruy Quaresma fazer um disco diferente e primoroso. A começar pelo repertório. Alinhavando sambas, maxixes, choros etc. cujas datações vão de 1929 (Dorinha, Meu Amor e Gavião Calçudo) a 1983 (Samba do Grande Amor); aproximando autores aparentemente distantes como Noel Rosa de Oliveira, o maior compositor do morro do Salgueiro, e Chico Buarque; juntando, no mesmo baú de preciosidades, sambas injustamente esnobados como os polêmicos “O Conde e Esperanças Perdidas” este, alvo de uma disputa autoral cabeluda, nos anos 70; trazendo a registro, além de um clássico do samba instrumental, Na Glória, até mesmo a valsa espanholada Santa Morena, ícone do repertório bandolinístico; compondo, enfim, um mosaico da melhor música popular brasileira, Ruy e o Sururu abriram a roda e, literalmente, “deitaram e rolaram”.

Para tanto, contaram com a competência, o talento e a energia dos excelentes percussionistas Marcelinho Moreira, Ovídio Brito e Eber; dos “sopristas” Humberto Araújo, Eliane Salek e Roberto Marques (trombone na faixa 5); dos “cordistas” Alceu Maia (banjo, faixas 2 e 4), Carlinhos Sete Cordas, Luis Filipe de Lima e Nicolas Krassik (violino, faixa 12); e da canja tão fundamental quanto despojada de ?São Chico Buarque - além do próprio Quaresma, ao violão.

O Sururu é isso. Música para ouvir, dançar e cantar junto. E quem já viu o grupo ao vivo, nas noitadas da Lapa ou em ambientes mais contidos, sabe do que estou falando. Falo de Nilze Carvalho, deusa congo-iorubana transbordando música e sensibilidade, liderando o grupo só no olhar, com pouquíssimas palavras e sem nunca altear a voz; e se multiplicando ao bandolim, ao cavaquinho e ao violão, em afinações totalmente diferentes, as notas fluindo de seus dedos e a voz brotando do coração.

Falo de Camila Costa, voz limpinha, cristalina, dando, com seu violão, o tom de leveza e frescor do grupo. Falo de Fabiano Salek, esbanjando energia, estraçalhando na percussão e nos vocais; e usando a voz até como cuíca. Falo do carisma de Silvio Carvalho que, no palco, empresta um brilho todo especial à performance do Sururu; e que, na maior tranqüilidade, segura a harmonia do cavaco quando Nilze sola ao bandolim.

Em comum, os quatro têm uma saudável particularidade: qualquer dia, hora e lugar em que se chegue, vai-se encontrá-los cantando, vocalizando e tocando como se tivessem começando naquele momento. Não se importam que as pessoas dancem: muito pelo contrário! Como dia desses, em que Nilze sinalizando com o olhar, fez com que o grupo repetisse a segunda parte do Brasileirinho, pois o salão estava se enchendo de dançarinos.

Pois o Sururu na Roda é isso! Mas é música para pensar, também. Principalmente no enorme mangue que separa a roda que nós queremos, a da boa música, desse tremendo “sururu” (no mau sentido) que, em nome da tal globalização, andam nos tentando empurrar goela adentro.

Fonte: Nei Lopes

sexta-feira, 1 de julho de 2011

ROSA MARIA PANICALI UMA VOZ QUE O TEMPO ABENÇOOU.

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Rosa é uma daquelas figuras que entram em sua vida e se instalam para sempre. Comigo foi assim estamos no ano de 1989 ambos trabalhávamos com educação no município de São Paulo e a cidade vivia anos de intensa expectativa com a primeira mulher eleita em nossa cidade, eu e Rosa demos nossa contribuição para este governo trabalhando lá no antigo NAE -4.
Depois desta gestão voltamos para nossas atividades como educadores em cantos diferentes da cidade, voltamos a nos encontrar novamente quando outra mulher tornou se prefeita de São Paulo já no século XXI, mais quatro anos de trabalho pela educação de nossa cidade.
Nunca neste tempo todo imaginei que Rosa tivesse voz tão linda, falávamos sempre sobre música ela me contava sobre seu primo o grande Lirio Panicali e eu sobre as vozes femininas deste nosso Brasil que tanto tocam meu coração.

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Assim caminhava nossa amizade até que há pouco tempo recebo de Rosa um presente incrível canções que ela gravou, bem dai em diante o amigo que já era fã da mulher forte que Rosa sempre foi, transformou Rosa numa de suas divas da canção popular de sua vida, eis ai como presente dois clips de áudio que divido com voces, numa ela canta Roda dos Ventos de Chico Buarque noutra ela canta lindamente a canção People, espero que curtam muito !


Paulo Gonçalo dos Santos
Pesquisador de MPB