quarta-feira, 17 de março de 2010

O “ALERTA GERAL” QUE ALCIONE DEU AO BRASIL EM 1978.



* Item de Colecionador *

Era final da década de 70 - precisamente 1978 - e ela cantava assim fechando seu LP intitulado “Alerta geral” “... Nada como um dia atrás do outro / Tenho essa virtude de esperar / Eu sou maneira, sou de trato, sou faceira / Mas sou flor que não se cheira...” ela é ninguém menos que a cantora Alcione.

Este Alerta Geral virou também um programa de muito sucesso as sextas feira na rede Globo de Televisão, época emq ue mais de 90% dos televisores do brasil sintonizavam o canal, ditando assim o que deveria ser ouvido no Brasil.

Não fosse Alcione uma cantora negra vinda do nordeste brasileiro e com carreira feita na noite paulista e carioca, teria possivelmente passado despercebida no cenário do que há de melhor na canção popular brasileira, mas Alcione é uma das mairoes cantoras deste nosso pais, e consolidou isto com este impecavel album.

Alcione conhecida pelo apelido carinhoso de “Marrom” produziu um dos mairoes classicos da musica popular neste ano, juntou composições de Gilberto Gil, Candeia, Roberto Correa, Sergio Ricardo, João do Vale e outros que lhe entregaram verdadeiras perolas que ela entregou a um publico avido de musica e qualidade.

Entre tantas letras que tornaram-se classicos no decorrer destes mais de 30 anos a composição de Gilberto Gil ganha especial atenção pois retrata fielmente o que a cantora era naquele momento, honesto como sempre foi em suas composições Gil nos apresentava a Marrom através de sua propria voz dizendo assim: “... Vê, por aquela janela / Entre a sola e o salto do sapato alto dela / Vê, por ali pelo vão / Entre a sola, o salto do sapato alto dela e o chão Vê, / Como existe um abrigo / Entre a sola e o salto do sapado alto / Contra o perigo / Do orgulho, da ilusão / Basta um centímetro prum grande coração No espaço ali embaixo / Entre a sola e o salto existe a imensidão ...”

É nesta preciosidade que está registrado o que alguns consideram o maior sucesso de Alcione, a canção feita por Chico Silva e Antonio José chamada: “Sufoco”, no melhor estilo Maysa, a Marrom conquistou todos os corações que já sofreram por amor um dia, muito mais proximo do povo simples brasileiro a marrom abriu ali morada eterna em todas as casas simples deste nosso pais que adora sofrer por amor.

Paulo Gonçalo dos Santos
Historiador / Pesquisador de MPB
paulogoncalo@uol.com.br

Andre L. M. Menezes
Revisão Afetiva


quinta-feira, 11 de março de 2010

É FACIL SE TORNAR DEVOTO DA CANTORA LUIZA DIONIZIO



A gravadora Universal Music colocou no mercado fonográfico brasileiro o CD “Devoção” da cantora carioca nascida no bairro de Penha Luiza Dionizio, e ao terminar a audição deste trabalho que nos faz sentir orgulho de viver em um país musical como o Brasil, fica impossível não se tornar um devoto (fã) da cantora.

Luiza Dionizio tem uma força na voz digna das veteranas Dona Yvone Lara e da experiente Martinália, mas não parece forçar a aproximação com nenhuma delas. Tem sim um timbre todo próprio e sua voz traz a marca da garra de quem nasceu mesmo é para cantar, e é quase impossível não imaginá-la no cenário das estrelas consagradas de nossa música brasileira daqui há uns belos pares de anos.

O CD, além das belas canções antigas e novas feitas especialmente para a cantora, tem um requinte na produção gráfica que usa e abusa com extremo bom gosto dos tons de amarelos, emoldurando as belas fotos que apresentam a cantora ao grande publico, pois o seleto público que freqüenta a noite carioca do bairro da Lapa já a conhece há tempos.

O CD tem direção artística de Paulão Sete Cordas e de Fátima Guedes, grande compositora que esta sempre atenta às belas vozes da musica brasileira e por tratar se de uma de nossas maiores compositoras, e conta também com a participação especial de Carlos Malta e da Velha Guarda do Império Serrano escola do coração da cantora.

E a canção “Velho Amigo” de Paulo Cesar Pinheiro e Luiz Carlos Maximo, resumem com perfeição o sentimento que fica em relação a esta cantora que nos chega serena e forte “ ... meu velho amigo já de tantos anos /meu grande irmão em todos os momentos/ teus cantos são tu sabes bem alentos ..."





Paulo Gonçalo dos Santos
Historiador / Pesquisador de MPB
paulogoncalo@uol.com.br

Andre L. M. Menezes
Revisão Afetiva

PATRICIA TALEM E OS MUITOS SONS DO ESTRELATO MUSICAL



Chegou-me através de um querido amigo americano, James Gavin, o CD da cantora Patrícia Talem que trás no titulo o nome da cantora e foi produzido por Marco da Costa e Sandro Albert em 2009 e gravado em Los Angeles com algumas participações especiais de músicos que já tocaram inclusive com Phil Colins e James Taylor.

O CD trás também a participação luxuosa de Caçulinha, um dos maiores músicos brasileiros, e a seleção do repertorio é muito bem cuidada e mistura ícones da canção brasileira como: Chico Buarque e Rita Lee, chegando até Jairzinho Oliveira - músico de uma nova geração já assentada em nosso cenário musical nacional.

Ao ouvir Patrícia Talem logo somos remetidos as jovens cantoras Luiza Possi e Vanessa (ex- Camargo), não só pelo timbre de voz que assemelha-se muito ao das cantoras citadas, como a produção musical voltada para o universo pop que possibilita uma rápida assimilação dos sons ouvidos.

Por incrível que possa parecer é na canção levada em inglês que conseguimos sentir o real valor de Patrícia Talem. Aí está: “Never Give Up” que traz os versos”... Of foolish dreams / I’m done with these / Of childish things / I’ve set them free / Filed them away in the past / Gave up on all that don’t last / Save for just one thing .”

É muito bom percebermos a possibilidade do surgimento de uma grande cantora realmente internacional.

Patrícia Talem parece ser uma destas, mas o tempo e as escolhas que fará é que determinarão o que acontecerá a sua carreira.

Saudada pela imprensa internacional com muitos elogios, vale conferir o trabalho desta cantora e ficar na torcida para que estejamos mesmo diante do que poderá ser a primeira Diva de porte internacional do século XXI que podemos apreciar deste o surgimento.




Paulo Gonçalo dos Santos
Historiador / Pesquisador de MPB
paulogoncalo@uol.com.br

Andre L. M. Menezes
Revisão Afetiva

terça-feira, 2 de março de 2010

“THE VOICE” - GAL COSTA em “CARAS E BOCAS” de 1977.



* item de colecionador *

O LP/CD – “Caras e Bocas” lançado em 1977 pela cantora Gal Costa prenunciava a mega estrela que ela se tornaria nos anos 80 no cenário da música popular brasileira, sobretudo após a partida repentina da cantora Elis Regina. O disco lançado pela gravadora Philips, onde Gal Costa ficou durante muitos anos, foi produzido pelo músico Perinho Albuquerque e era aberto pela composição que deu nome ao trabalho, composta por ninguém menos que a dupla Caetano Veloso e Maria Bethânia.

Os versos que, dizem, ecoam estrondosos em todos os cantos encantados dos anos 70: “... quando conto um segredo / quando mostro algum medo ou mais / quando falo de amor ou desejo / minha boca se mostra macia, vermelha ...” Composições de Rita Lee, Jorge Bem, Lupicínio Rodrigues, Péricles Cavalcanti e uma versão feita por ninguém menos que Augusto de Campos compõem este que talvez seja o trabalho mais emblemático da carreira desta cantora, que podemos considerar “The Voice” do Brasil, numa paródia que faço ao titulo recebido por Frank Sinatra nos anos 50.

Uma obra prima de Caetano Veloso teve seu registro imortalizado na voz de Gal Costa neste trabalho. Falo da canção “Tigresa” obra prima do mestre bahiano que diz “... uma tigresa de unha negras e Iris cor de mel / uma mulher, uma beleza que me aconteceu, esfregando a pele de ouro marrom, do seu corpo contra o meu, me falou que o mal é bom e o bem cruel ...”

A tradução de Caetano Veloso para uma obra prima de Bob Dylan ganha força brutal na cristalina voz de Gal Costa, e torna-se quase impossível não obedecê-la ao ouvir sua voz entoar “... Vá, se mande, junte tudo que você puder levar / ande, tudo que parece seu, é bom que agora já ...”. Versos poderosos. E uma Marina Lima altiva que vem chegando ao cenário musical e entrega a Gal Costa a canção “Meu Doce Amor” que diz assim: “... eu sempre sei por onde vou / eu sempre quis tudo que fiz/ seja quem for / foi só porque eu fiz, eu quis ...” recentemente em entrevista equivocada a autora acabou por nos revelar o porque da canção.

Quem fecha este trabalho atemporal de Gal Costa é um dos maiores compositores de nossa música, Lupicínio Rodrigues, através de sua canção “Um Favor”, bela e melodiosa, nossos ouvidos se enchem de uma paz que só mesmo a voz de Gal Costa pode trazer.

Saudades deste tempo encantado, em que Gal Costa encheu de sons, cores e alegrias o mundo.





Paulo Gonçalo dos Santos
Historiador / Pesquisador de MPB
paulogoncalo@uol.com.br

Andre L. M. Menezes
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MILTON NASCIMENTO AO VIVO EM 1983 EM SAMPA. SIMPLISMENTE LINDO.



* item de colecionador*

Na década de 80 (século XX) foram inúmeras as vezes que me aprontei com o coração disparado desde o dia da compra dos ingressos para ir assistir alguns shows no Palácio das Convenções do Anhembi aqui em São Paulo. Época em que assistíamos aos grandes da MPB em teatros sem uma confusão de garçons e gente fazendo de tudo, menos prestando a atenção no cantor (a) no palco.

Foram inúmeros os momentos maravilhosos que lá passei, e um dos mais lindos aconteceu em 1983, quando fui assistir a Milton Nascimento. É preciso lembrar que estávamos a caminho do movimento das “Diretas Já’, queríamos votar pra presidente e tudo parecia conspirar contra, e Milton Nascimento era o compositor que maior sintonia tinha conosco, estudantes de todos os níveis que desejavam mudar o Brasil e o mundo.

A canção ‘Coração de Estudante’ já andava em nossas bocas, corações e mentes e era certeiro que ela estaria no show, pensamento correto e o show foi aberto com esta composição, na verdade, o show serviu para gravar um LP do Milton Nascimento para a Philips, sua gravadora. O Palácio das Convenções do Anhembi quase veio abaixo, quando a mais bela voz masculina do Brasil e quiçá do mundo entoou: “... quero falar de uma coisa / adivinha onde ela anda? ...” obviamente nossos corações gritavam e pela primeira vez na vida o inicio de um show me fez chorar copiosamente, isso só aconteceu uma outra vez quando assistindo a um show de Maria Bethânia ela altiva no topo de uma rampa abre o show em duo (virtual) com Nina Simone entoando os versos de uma canção de Caetano Veloso.

O repertorio do show/disco é irretocável e hoje é de fato um item de colecionador, um daqueles raros “discos ao vivo” que tem qualidade de fato e fica pra posteridade orgulhando o interprete pra sempre. Estavam no repertório as canções; “Nos Bailes da Vida”, o clássico de Dolores Duran, que na voz de Milton ganha força inigualável “ A Noite do Meu Bem”, a belíssima canção de Milton imortalizada na voz de Fafá de Belém: “Menestrel das Alagoas”, “Para Lennon e McCartney”, “Canção do Novo Mundo”, e tantas outras. Outra emoção - sentida poucas vezes - foi a participação surpresa para o publico de Gal Costa, maravilhoso e único momento, na canção “Solar”.

A voz cristalina de Gal aparece no fundo do cenário e vamos ao delírio na platéia “... Venho do sol a vida inteira no sol sou filha da terra e do sol...” quem viveu estas emoções dificilmente pode ser infeliz. E este monumental momento da MPB termina com a canção “Maria, Maria “ ... mas é preciso de força, ter garra sempre ... “. Eis um item que não deve faltar em nenhuma casa do povo da raça Brasil.




Paulo Gonçalo dos Santos
Historiador / Pesquisador de MPB
paulogoncalo@uol.com.br

Andre L. M. Menezes
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quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

O CHEIRO DO BRASIL DE SANDRA DE SÁ



Este inicio de 2010 aponta para um ano de excelente produção musical neste nosso enorme Brasil, e logo no inicio do ano chegou as lojas o novo CD da cantora “Sandra de Sá” que estava há algum tempo sem gravar.

Sandra está mais alegre do que nunca e seu sorriso encantador está estampado nas fotos da capa do CD que se chama: “Africanatividade – Cheiro de Brasil” criadora do Música Preta brasileira, Sandra mexe em seu caldeirão musical canções que podem unir dois continentes numa só história. Sandra convida a participação musical “Seu Jorge”, “MC K” e “Ana Firmino” o que dá a este caldeirão uma sonoridade extremamente próxima ao que Sandra chama de “musica preta brasileira”, não pela etnia dos convidados mas pela musicalidade que todos possuem dando cor e tempero azeitado ao CD.

Somente duas canções não são de autoria de Sandra de Sá, uma delas um clássico da safra de Djavan: “Sina” que melodiosamente vai nos dizendo assim “... O luar, estrela do mar, o sol e o dom, quiçá, um dia a fúria desse front virá lapidar”. A outra que não é de autoria de Sandra se chama “África” de Gil Gerson e César Rossini e exalta o continente dizendo: “... África, mulher de raça antiga, África, mistério e magia, África, selvagem, amiga.”

As composições de autoria de Sandra reafirmam seu jeito de fazer musica já consolidado no cenário brasileiro há pelo menos uns 20 anos. Indo do romântico escancarado ao protesto sincero, Sandra de Sá mostra que sabe aonde quer chegar e chega sempre, sim! E é no duo com Seu Jorge que o Cd nos cativa a canção se chama “Baile no Asfalto” e diz assim: “... se a vida anda meio sem direção, o pensamento indo na contra mão, o amor sem paradeiro ...” .

O encontro das belas vozes nos mostra o quanto a África mora aqui dentro do Brasil.




Paulo Gonçalo dos Santos
Historiador / Pesquisador de MPB
paulogoncalo@uol.com.br

Andre L. M. Menezes
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A HERANÇA DE OURO DA FAMILIA CORREA



Em junho de 2007, a família carioca Correa reuniu-se no Garden Hall (casa de shows do Rio de Janeiro) para fazer o primeiro registro em DVD de sua musicalidade. O resultado chegou às lojas em 2008 com o titulo “GoldHerança”, titulo de uma cação de Carlos Colla feita especialmente para o encontro da família.

Mas quem são os integrantes desta família tipicamente musical brasileira? Nada mais nada menos do que: Golden Boys, Evinha e o Trio Esperança. Todos marcaram o cancioneiro popular brasileiro nos anos 70 e 80 e carimba canções que se tornaram clássicos de nossa musica.

Afinadíssimos, com ouvido musical excelente, a produção de todos é de alta qualidade, agora mesmo em 2010 o Trio Esperança retornou ao CD com belíssimo trabalho lançado até o momento somente na França, onde tem residência fixa parte das mulheres da família Correa. Única a alçar vôo solo na família, a cantora Evinha chegou ao grande publico num dos Festivais Internacionais da Canção, promovidos pela Rede Globo.

A musica era; “Cantiga para Luciana” e imediatamente Evinha passou a ser a queridinha de todo povo brasileiro, a forma meiga com que interpretou a canção tonaram-se a irmã/prima que todos queríamos ao nosso lado. A canção está no DVD, obviamente. Evinha ainda interpreta sozinha no show as canções; “Teletema” enorme sucesso da abertura da primeira versão da novela “Anjo Mal” e a belíssima e atemporal “Casaco Marrom” que diz assim “... eu vou voltar aos velhos tempos de mim, vestir de novo meu casaco marrom ...”

Mas o DVD é aberto com uma seleção de sucessos do Trio Esperança que em sua primeira formação tinha Evinha nos vocais e que ao lançar-se solo foi substituída pela irmã mais nova, excelente cantora também. Estão lá as canções “Festa do Bolinha”, “Filme Triste” e o clássico “O Passo do Elefantinho”, entre tantas outras. Esta primeira parte do show é fechada com uma soberana interpretação de uma canção em japonês de autoria de um dos irmãos.

É de arrepiar. Fica para o final o bloco com canções do grupo Golden Boys sucesso na época da Jovem Guarda, trazendo a memória as emoções das jovens tardes dos domingos que não mais voltam.

Belo registro que vale estar entre os DVDs de nossas casas e como diz a canção “Goldenherança”: “... tudo era sol, era ré,mi, lá ... aí que saudade me dá ...”




Paulo Gonçalo dos Santos
Historiador / Pesquisador de MPB
paulogoncalo@uol.com.br

Andre L. M. Menezes
Revisão Afetiva