terça-feira, 2 de março de 2010

“THE VOICE” - GAL COSTA em “CARAS E BOCAS” de 1977.



* item de colecionador *

O LP/CD – “Caras e Bocas” lançado em 1977 pela cantora Gal Costa prenunciava a mega estrela que ela se tornaria nos anos 80 no cenário da música popular brasileira, sobretudo após a partida repentina da cantora Elis Regina. O disco lançado pela gravadora Philips, onde Gal Costa ficou durante muitos anos, foi produzido pelo músico Perinho Albuquerque e era aberto pela composição que deu nome ao trabalho, composta por ninguém menos que a dupla Caetano Veloso e Maria Bethânia.

Os versos que, dizem, ecoam estrondosos em todos os cantos encantados dos anos 70: “... quando conto um segredo / quando mostro algum medo ou mais / quando falo de amor ou desejo / minha boca se mostra macia, vermelha ...” Composições de Rita Lee, Jorge Bem, Lupicínio Rodrigues, Péricles Cavalcanti e uma versão feita por ninguém menos que Augusto de Campos compõem este que talvez seja o trabalho mais emblemático da carreira desta cantora, que podemos considerar “The Voice” do Brasil, numa paródia que faço ao titulo recebido por Frank Sinatra nos anos 50.

Uma obra prima de Caetano Veloso teve seu registro imortalizado na voz de Gal Costa neste trabalho. Falo da canção “Tigresa” obra prima do mestre bahiano que diz “... uma tigresa de unha negras e Iris cor de mel / uma mulher, uma beleza que me aconteceu, esfregando a pele de ouro marrom, do seu corpo contra o meu, me falou que o mal é bom e o bem cruel ...”

A tradução de Caetano Veloso para uma obra prima de Bob Dylan ganha força brutal na cristalina voz de Gal Costa, e torna-se quase impossível não obedecê-la ao ouvir sua voz entoar “... Vá, se mande, junte tudo que você puder levar / ande, tudo que parece seu, é bom que agora já ...”. Versos poderosos. E uma Marina Lima altiva que vem chegando ao cenário musical e entrega a Gal Costa a canção “Meu Doce Amor” que diz assim: “... eu sempre sei por onde vou / eu sempre quis tudo que fiz/ seja quem for / foi só porque eu fiz, eu quis ...” recentemente em entrevista equivocada a autora acabou por nos revelar o porque da canção.

Quem fecha este trabalho atemporal de Gal Costa é um dos maiores compositores de nossa música, Lupicínio Rodrigues, através de sua canção “Um Favor”, bela e melodiosa, nossos ouvidos se enchem de uma paz que só mesmo a voz de Gal Costa pode trazer.

Saudades deste tempo encantado, em que Gal Costa encheu de sons, cores e alegrias o mundo.


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Paulo Gonçalo dos Santos
Historiador / Pesquisador de MPB
paulogoncalo@uol.com.br

Andre L. M. Menezes
Revisão Afetiva

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