sábado, 25 de dezembro de 2010

GRANDES NOMES – ABELIM MARIA DA CUNHA... SALVE ANGELA MARIA.



O Brasil talvez seja o único país no mundo que deve se orgulhar da enorme quantidade de cantoras que possue, mas certamente qualquer outro país não só se orgulharia como veneraria eternamente a cantora que certa vez ganhou o apelido de “sapoti” - fruta tipica do interior do Brasil - e que possue a mais bela voz entre todas as outras cantoras que já estiveram e estão entre nos.

Angela Maria, cantora singular no cenário musical nacional há mais de 50 anos há muito ocupa o primeiro lugar entre as mais importantes interpretes vivas de nossa canção. Seu inicio de carreira foi assumidamente construído a partir da imitação de Dalva de Olivieira, outra cantora que fez e faz nosso Brasil orgulhar-se.
Angela Maria que começou imitando Dalva de Oliveira foi imitada no inicio de carreira por ninguém menos que Elis Regina que enquanto esteve viva não deixou de prestar inumeras homenagens à Diva da cor do “sapoti”. Sempre que podia Elis Regina fala sobre Angela Maria e cantava seus sucessos, o que só fez aumentar o respeito por esta maravilhosa cantora.

Aos poucos nosso imenso país vai perdendo a fama de ser um país sem memoria, certo que ainda é muito lento este processo da recuperação da memoria cultural nacional, mas ele existe e vem consquistando um filão importante do mercado fonográfico, e a prova maior é o lançamento recente da Globo Marcas de mais um DVD da série Grandes Nomes da Rede Globo, desta vez o especial feito por ninguém menos que ela a nossa sapoti: Angela Maria.

O Especial que foi ao ar no inicio da decada de 80 fez parte de uma série de programas que trazia no titulo o nome verdadeiro do cantor (a), este programa que teve Angela Maria como centro trouxe numeros musicais com os maiores sucessos da cantora até à epoca e participações para lá de especiais de João Bosco e, pasmem, da cantora Angela Ro Ro em numero para lá de inusitado. Para terem idéia desta participação Angela Maria chega a perguntar a Ro Ro porque que ela uma moça tão bonita não tinha namorado.

Brincadeira a parte o DVD é um marco histórico e deve estar entre os de destaque em qualquer coleção de MPB pois ver e ouvir Angela Maria em um momento tão doce de sua vida é um privilégio para todos aqueles que cultuam a memoria musical de nosso Brasil.




Paulo Gonçalo dos Santo
Historiador / Pesquisador de MPB
paulogoncalo@uol.com.br
Andre L. M. Menezes
Revisão Afetiva

O DIVERTIDO CABARET DE REGINALDO ROSSI












Confesso que fui levado até ao DVD colocado no mercado musical pela EMI do cantor Reginaldo Rossi intitulado “Cabaret do Rossi” porque soube que entre as canções do reportorio do cantor estava a canção “I will survive” atiçado por esta informação trouxe para casa o DVD.

Grata foi a surpresa ao assisti-lo até o fim. Adimiro profundamente todos aqueles que conseguem rir de suas mazelas e tragédias, acho que assim a dor fica menos dificil e a superação se torna masi tranquila, e descobri que Reginaldo Rossi é assim: ele mesmo; não se leva a sério e ri de si a todo o momento neste show que é deveras alegre.

Assumindo como idolo numero um do publico chamado de brega ele monta seu show num pequeno cabaret de tons forte e cercado por belas moças que fazem coreografias em algumas canções que nos remetem as “chacretes”. Com pequena plateia, formada certamente por fãs incondicionais, o show evolui descontraidamente.

De maneira despudorada ele regrava hit do duo de Marisa Monte e Arnaldo Antunes “Amor I Love You” parceria com Carlinhos Brown nos mostrando com as canções chegam até o povo, afinal a canção de Marisa Monte foi sucesso estrondoso chegando em seu lançamento a todo o povo brasileiro, do morro aos condominos fechados, e Reginaldo Rossi recicla a canção e mostra como ela chegou ao seu publico.

O número musical que me fez trazer para casa o DVD – “I Will Survive” é hilário, impossivel não rir, mas a interpretação é boa e como sempre acontece quem ouve a canção canta junto, embora revestido de alguns ares homofobicos p que é uma contradição visto que a canção é um hino da comunidade gay mundial. Vale a diversão.
Reginaldo Rossi que apareceu no cenário musical nos idos da Joven Guarda certamente deve ser o Rei de um publico que não tem vergonha de ser e viver da maneira que quer e é.





Paulo Gonçalo dos Santos
Historiador / Pesquisador de MPB
paulogoncalo@uol.com.br
Andre L. M. Menezes
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ELIEZER SETTON A VOZ QUE REDESCOBRE O BRASIL











Os brasileiros de minha geração aprenderam de maneira sofrida que cantar os símbolos de nosso Brasil era algo extremamente ligado ao ufanismo propagado pelos defensores do período mais triste de nossa história recente que perdurou 30 anos e nos deixou sob o comando dos militares e sob inúmeras proibições e perseguições.

Para nós é impossível não lembrar este período onde gênios de nossa música como Caetano Veloso e Gilberto Gil foram expulsos do país e que Chico Buarque buscou voluntariamente o exílio, e fizemos muita pirraça na praça e depois de três décadas retomamos o caminho da liberdade.

Desde então tem sido difícil reincorporar o prazer por ouvir nossos hinos, admirar nosso escudo, nossas cores e vimos aos poucos rompendo (não sem dor) com este sentimento que nos afastou de nossos símbolos nacionais. Um primeiro movimento tem sido desde a redemocratização do Brasil e a incorporação das palmas ao final dos cantos coletivos do hino nacional. Isso nos parece uma forma de desforra.

Mas ao chegar aos ouvidos o doce trabalho de um cantor, ou melhor, de um menestrel do nordeste brasileiro chamado Eliezer Setton no formato CD chamado “Hinos à Paisana”, feito sob apoio do SESC Alagoas, algo brotou dentro do peito e tornou-se impossível ouvir este cd repleto de nossos hinos ufanistas sem nos emocionar e acompanhá-los a plenos pulmões.

Eliezzer Setton dá cor, brilho e devolve-nos a alegria de sermos brasileiros e podermos desfrutar de tantos belos hinos. Os ritmos que ele agrega aos hinos são os nossos mais queridos por toda nossa gente, sua voz forte de homem nordestinos nos toca a alma e faz com que passemos a redescobrir o amor que temos pelo Brasil.

Salve este menestrel das alagoas que redescobre o Brasil e arrasta atrás de seu canto uma multidão louca de vontade de gritar bem alta para o mundo todo ouvir o quanto amamos nosso Brasil.



Paulo Gonçalo dos Santos
Historiador / Pesquisador de MPB
paulogoncalo@uol.com.br

Andre L. M. Menezes
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sábado, 13 de novembro de 2010

AS RESPOSTAS AO TEMPO ATRAVÉS DOS SONHOS DE MILTON NASCIMENTO.






“... No fundo é uma eterna criança que não são soube amadurecer, eu posso, ele não vai poder me esquecer ..”. É através da canção de Cristovão Bastos e Aldir Blanc que Milton Nascimento nos dá o melhor presente da ultima década na MPB, lançando o CD:... E a Gente Sonhando, onde reúne uma turma de jovens mineiros envolvidos com a música e mostra que é a voz do Brasil.

Aquela velha saudade de ouvir a mais bela voz masculina da MPB que parecia ter ficado apenas na lembrança e nos LPs, CDs e vídeos que estão espalhados pelo mundo, foi embora, e é esta voz tão bela e tão significante está ao nosso alcance neste novo trabalho de Milton, o nosso Mil tons.

O CD tem canções novas e antigas não só de Milton, e é um passeio pela boa música brasileira que pode ecoar em qualquer rincão do mundo, todos nós sabemos que Milton Nascimento é o cantor brasileiro de maior projeção internacional e é a reafirmação disso que ouvimos em todas as canções esplendidamente arranjadas para este trabalho.

“... estrela, estrela como ser assim tão só, tão só e nunca sofrer ..”. a canção antiga de Vitor Ramil encaixa-se perfeitamente na seleção do CD pois fica claro que a estrela respondeu a Milton Nascimento dizendo-lhe que bastava juntar se a quem de fato ama a musica e a tem pura no coração, este grupo que cercou Milton para este trabalho traduz o que de mais belo a música pode provocar nas pessoas.

Dentro deste trabalho cabe ao compositor Lulu Santos e uma de suas composições que marcaram os anos 80 cheio de swing e malicia, Milton Nascimento se desvela num momento de plenitude e musicalidade únicos.

E a gente sonhando....Certamente é de uma alegria que faz nascer o amor em nossos corações; amor que de desdobra pela voz de Milton Nascimento.


Paulo Gonçalo dos Santos
Historiador / Pesquisador de MPB
paulogoncalo@uol.com.br

Andre L. M. Menezes
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O MARCO ZERO DE ELBA RAMALHO.












Elba Ramalho completou 30 anos de carreira e gravou o belíssimo CD no centro da capital de Pernambuco, Recife, recheado de participações especiais e de números musicais que desenham a trajetória da cantora que um dia foi chamada de “a Madonna do Nordeste’ de maneira jocosa por algum jornalista que acreditava entender de música brasileira.

Nestes 30 anos Elba Ramalho só fez mesmo se transformar em uma das maiores Divas de nossa canção popular, com sua voz rascante e cheia de swing. São inúmeros os sucessos que Elba emplacou durante todos estes anos e que nos fez dançar muito e namorar ainda mais.

O CD que já se encontra a venda está sendo lançado pela Biscoito Fino, que havia já editado o excelente CD de inéditas de Elba ano passado, a promessa é que até o final de 2010 chegue até as mãos dos admiradores de Elba o DVD que fora gravado junto com este DVD.

A música que abre a audição do CD é uma das mais bonitas já escritas por Alceu Valença intitulada “Anunciação” e a voz de Elba rasga os céus recifenses entoando “... tu vens, tu vens, eu já escuto os teus sinais ...” fantástica embaixatriz da região mais linda de nosso Brasil.
“... descobrir a beleza desta mulher..”. emenda a voz de Elba a primeira canção fazendo nos lembrar de sua estréia nos discos com a bela “Banquete dos Signos’ um dos trabalhos mais emblemáticos da cantora no final dos anos 70 inicio da década de 80, década alias que firmaria definitivamente no cenário musical o nome de Elba.


Ouvimos Elba dividir os vocais com Geraldo Azevedo, Lenine, Alcione, Zé Ramalho, André Rio e Cesinha atual companheiro da cantora em dueto emocionado em “É só você querer”.

O desejo que fica instalado no coração ao acabar de ouvir este CD de Elba Ramalho é o de que, pelo menos, mais 30 anos se passem com a voz de Elba a embalar nossos sonhos e nossas alegrias. Feliz de um povo que tem uma voz como a de Elba a traduzir seus sons!
Salve Elba!




Paulo Gonçalo dos Santos
Historiador / Pesquisador de MPB
paulogoncalo@uol.com.br

Andre L. M. Menezes
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CAUBY SINGS SINATRA.











Perto de completar 80 anos de vida (pelo menos pelo que consta em algumas biografias do cantor Cauby Peixoto no mundo virtual) chega a nós súditos incontestes deste rei da canção o magnífico e perfeito DVD e Cd “Cauby Sings Sinatra”.

Gravado no Teatro Fecap, localizado na cidade de São Paulo no bairro da Liberdade, é um dos espaços mais simpáticos e singelos onde nossa boa música tem a chance de ser tocada e apreciada com conforto, elegância e acesso a todos os bolsos.

O DVD registra o show soberbo que foi realizado no Teatro Fecap conseguindo captar a emoção que o artista transpira sempre que se vê frente a seu publico, um show certamente difícil por tratar se de um repertorio inteirinho em língua inglesa, mas para o “Professor” - como é chamado carinhosamente no universo da musica brasileira - foi apenas mais uma das tarefas que seu oficio lhe impôs e ele humildemente acatou.

Impressiona a qualidade e limpidez da magistral voz de Cauby Peixoto. Sua voz é um instrumento poderoso e isso é privilégio para pouquíssimos no cenário do mundo da música.

Com a participação de músicos brilhantes o show tem uma concepção jazzística, e quem já teve a oportunidade de assistir show dos grandes mestres do Jazz gravados nos Night Cubs de New York ou New Orleans percebe o quanto está estrutura deixou Cauby Peixoto confortável.

Sua voz impecável passeia pelos grandes sucessos de Sinatra. É maravilhoso ver e ouvir Cauby interpretando “All the Wa”y, “Laura”, ‘S wonderful, Moon River”, “My Way” e o “Theme from New York, New York”, poxa vida se a canção não tivesse sido primeiro gravada pro Liza Minelli certamente teriam convidado Cauby Peixoto para interpretá-la, ou melhor teriam chamado Ron Coby (nome usado por Cauby nos anos 50 quando tentou carreira em Holywwod) para tal feito.

Cauby Peixoto com mais este trabalho reafirma seu reinado como o maior cantor de nossa história musical.





Paulo Gonçalo dos Santos
Historiador / Pesquisador de MPB
paulogoncalo@uol.com.br

Andre L. M. Menezes
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UMA LIRICA DE FAUSTO NILO.











Nascido em Quixeramobim, Ceará, o poeta Fausto Nilo que é também arquiteto vem deixando sua marca no cenário musical brasileiro já há um bom tempo. Suas composições ecoam e ecoaram por todos os cantos do Brasil nas mais belas vozes de nossa música brasileira.

Agora em 2010 a gravadora Biscoito Fino trás para deleite dos fãs deste poeta maior um CD gravado no Ceará totalmente dedicado a obra de Fausto Nilo recheado de convidados especiais que dão um toque ainda mais especial nesta obra tão bem cuidada.

Quem durante os anos 80 não cantarolou a canção “ ... Felicidade é uma cidade pequenina, é uma casinha é uma colina , qualquer lugar que se ilumina, quando a gente quer amar...” na época entoada pela cantora Simone?

Infelizmente, uma desavensa entre a cantora e o poeta nos impede de ouvir Simone entoar novamente as canções de Fausto Nilo. Perdemos nós fãs dos dois, mas para defender esta canção neste CD que presta merecida homenagem a Fausto Nilo é Ivan Lins que não faz por menos e toca nossos corações com sua interpretação de “Pão e Poesia”.

Mas o Cd que se chama “Quando Fevereiro Chegar – Uma lírica de Fausto Nilo”, tras em ordem os seguintes convidados especiais, Geraldo Azevedo, Caetano Veloso, Elza Soares, Fernanda Takai, Carlinhos Brown, Zé Ramalho, Zeca Baleiro, Jorge Vercillo, Moraes Moreira, Fagner e o proprio Fausto Nilo junto a todos que participam do CD encerram cantando um de seus maiores sucessos que foi imortalizado nos anos 80 por ninguém menos que Gal Costa, “Bloco do Prazer”.

Entre tantas participações magistrais, desta-se a de Fernanda Takai interpretanto a surreal canção intitulada “O Elefante” parceria de Fausto Nilo e Robertinho do Recife que diz mais ou menos assim “... Como criança que vai viajar, acordei cedo e vi você sonhar, Uma ciranda doce pelo ar e a natureza foi se balançar a fantasia me faz delirar...”

É impossivel aos amantes da música brasileira não ter este CD entre os outros tantos que compões a cesta básica da música popular brasileira.



Paulo Gonçalo dos Santos
Historiador / Pesquisador de MPB
paulogoncalo@uol.com.br

Andre L. M. Menezes
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